Nos últimos dias, o assunto "calourada" tem tomado conta de parte considerável do tempo de todas as rodas de conversa entre estudantes de Direito e mesmo de outros cursos da Faculdade Salesiana do Nordeste. Sem duvidas, um momento importante para a vivencia acadêmica, e que nós, do Coletivo PARA MUDAR, enquanto estudantes organizados com referência em pelo menos 49% dos estudantes da faculdade, não podemos nos furtar em emitir opinião.
Para começo de conversa, vejamos o que diz Gil Piauilino, membro do Centro Acadêmico de Serviço Social da Universidade de Brasilia - UnB, e coordenadora da IV região da executiva nacional dos estudantes de serviço social - UNESSO:
"A calourada vem na perspectiva de interagir estudante/universidade e contribuir para um conhecer melhor a universidade ou seu curso, já que é tudo muito novo! Ao invés de trote violentos e humilhantes a calourada vem recepcionar esses estudantes e dar boas vindas a universidade. Geralmente a calourada é construída com vários dias de debates durante a semana, com diversos temas que perpassa a vivência dentro da universidade: assistência estudantil, o próprio movimento estudantil, assuntos acerca da profissão se for uma calourada de curso, questões de gênero e raça pelo coletivos organizados dentro da universidade e encerrar com uma festa de calourada para socialização de forma mais lúdica."
Agora à luz do depoimento dessa importante liderança do movimento estudantil brasileiro, vejamos a forma como está sendo construída a nossa calourada.
Gil fala que, "a calourada vem na perspectiva de interagir estudante/universidade" e mais, "contribuir para um conhecer melhor a universidade ou seu curso, já que é tudo muito novo". Em outras palavras, é preciso criar um ambiente de receptividade aos estudantes novatos, de forma que estes, se sintam a vontade neste novo ambiente e possa ser incluídos de imediato na dinâmica da academia, "A calourada vem recepcionar esses estudantes e dar boas vindas". Quando analisamos a proposta do Diretório Acadêmico vemos de imediato que o evento, tal como está configurando, não pretende alcançar nem um nem outro objetivo. Não se pode receber os calouros no meio do semestre (a calourada está marcada para o dia 14 de novembro), e não se pode apresentar o curso, a faculdade fora dela. Não se pode propor uma integração impondo obstáculos, como a cobrança de ingresso (ainda mais nos valores praticados).
Outro ponto importante é que "a calourada é construída com vários dias de debates durante a semana, com diversos temas que perpassa a vivência dentro da universidade", devendo ser, dessa maneira, um ponto culminante de uma série de atividades integradoras, educativas e politicas. Deve-se fornecer aos estudantes debates sobre temas do dia a dia de suas vidas, e que os levem a serem cada dia, homens e mulheres mais conscientes de suas responsabilidades na sociedade. Até o momento, não sabemos de nenhuma atividade desse gênero a ser promovida pelo Diretório, a não ser, os diversos seminários e congressos que os diretores da entidade divulgam. Todos pagos e fora da faculdade.
Isso tudo porém, tem um motivo. O que acontece é que nossa "calourada" não pretende ser, uma festa de socialização lúdica dos debates diversos, como definida pela estudante da UnB. Nem se quer, está sendo preparado pelo Diretório Acadêmico.
Essa "calourada" é na verdade, um evento criado por uma produtora privada, que como toda empresa, tem o lucro como objetivo principal. O Diretório entra nesse evento como "parceiro" (vide os cartazes em toda a faculdade), que é chamado de calourada apenas dentro da FASNE (nem nos cartazes é assim denominada), como forma de atrair os estudantes da faculdade e em troca, será repassada pela produtora, uma porcentagem dos lucros.
Ou seja, esse evento é construído numa logica totalmente mercadológica, onde não nos resta outra pergunta se não: Calourada pra quem?
Nós do Coletivo Para Mudar, Defendemos:
- Promoção de espaços gratuitos de debate e inserção dos estudantes novatos e veteranos;
- Calouradas gratuitas ou a baixíssimos custos, que tenham como objetivo o bem comum dos estudantes;
- Calouradas no espaço da Faculdade, criando assim, maior identidade entre estudante e a instituição e diminuindo custos;
- Exploração das potencialidades artísticas dos estudantes, sendo a calourada, um espaço para que os próprios estudantes se apresentem;
- Promoção da cultura e dos artistas populares e regionais, através de grupos de resistência e produção cultural.
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